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O lucro não vem por acaso

O lucro não vem por acaso

Por Antonio Carlos de Matos

Há uma característica comum na esmagadora maioria do empresariado que nos procura: trata o lucro de forma muito pouco explícita, como se não fosse politicamente correto uma admissão de

desejos ou necessidade de lucro. Ou porque parece bom não admitir lucro, por segurança ou quem sabe, algo como “cautela tributária”.


Quero iniciar nossa troca de idéias neste blog com um tema que justifica o título: “O lucro não vem por acaso”. Minha intenção é provocar uma discussão sobre a admissibilidade do lucro, mais do que um objetivo das empresas.

Lançar um novo produto, abrir mais um ponto de venda, aumentar o faturamento em 10%, e por ai vai, são excelentes formas de expressar os objetivos da empresa. Mas ter lucro não pode ser considerado apenas mais um objetivo, nem mesmo o objetivo mais importante. Obter lucro precisa ser encarado como OBRIGAÇÃO. Lucro para empresa é como o oxigênio para os seres vivos. Sem oxigênio não há vida. Sem lucro não há empresa.


Calma aí! Não estou afirmando que vale tudo pelo lucro. Pois não vale destruir o meio ambiente, as relações sociais ou subjugar a dignidade


humana. Não! Mas, abriremos em outra oportunidade estas reflexões aqui. Por enquanto proponho que na educação empreendedora no Brasil, o lucro seja tratado como obrigação e de forma explicita e bem focada. Senão, vejamos.


Um empreendedor consegue R$100.000,00 emprestados, para investimento em um novo negócio, concordando em devolver esse empréstimo, a partir do terceiro mês, em 25 parcelas de R$5.000,00 adicionadas da inflação do mês anterior, medida pelo IGPM.


No primeiro mês, após a inauguração da empresa, conseguiu uma receita de vendas de exatos R$28.640,00.


Mas teve um custo direto de R$14.300,00, despesas comerciais de R$2.340,00 e Despesas Fixas de R$12.600,00.


Conclusão: teve de segurar as pontas com dinheiro próprio, com R$600,00.

No segundo mês, milagrosamente conseguiu vender R$ 30.500,00, mas para isto teve gastos de R$29.900,00. Conseguiu um lucro de R$600,00 no mês, os quais cobriram o prejuízo do mês anterior.


Mas, chegou o terceiro mês, e no final deste precisa pagar ao credor dos R$100.000,00 a primeira parcela de R$5.000,00.


Pergunta: de onde o nosso amigo empresário poderá tirar essa quantia?


A resposta só pode ser uma: das receitas de vendas. Mas, pensando em

gestão de negócio, não se paga investimento com a receita de vendas, mas com o que sobra dela após cobrir os gastos operacionais.


Receita de vendas – (Custo direto + Despesas Comerciais + Despesas Fixas) = Lucro.

Do lucro sim, pode-se tirar o pagamento do investimento. Se não houver lucro não haverá pagamento do investimento. Sem pagar a parcela combinada com o credor, a empresa deixará de existir, pois nenhum credor fica quieto com a expectativa de NÃO recuperar sua parte. Pedido

de falência existe para isso.


Agora, fica fácil afirmar que sem lucro não há empresas. Para uma empresa continuar tem de ser capaz de gerar lucro. Por que então não tratar o lucro como obrigação declarada para todos que atuarem numa empresa?

Antonio Carlos de Matos

Consultor

7 comentários to “O lucro não vem por acaso”

  1. Fabio mouro disse:

    Tenho um deposito de reciclagem, e decidi investir em caminhoes e precisei comprar um terreno que era alugado por mim,no final precisei pegar dinheiro do banco só que não consigo mais pagar e meu lucro é metade do que pago de parcela, o que devo fazer?

    • Beco com Saída disse:

      Prezado Fabio Mouro

      Pelo visto as contas que fez ANTES de assumir uma dívida não foram bem analisadas. Por isso este problema financeiro. O que foi previsto por você na parte comercial da empresa para cobrir os custos já existentes e esta nova dívida não foram bem planejados ou implementados. Ou seja o seu volume de vendas precisa ser ampliado de forma sustentável (considerando os seus custos e despesas) para que te ajude a pagar esta dívida.

      Agende uma reunião com este credor veja quais são as possibilidades de obter um novo parcelamento. Paralelo a esta renegociação converse com os outros gerentes das instituições financeiras e veja se consegue negociar a portabilidade da dívida para um outro banco com taxas de juros menores e maior prazo de pagamento.

      Paralelo a isso se faz necessário que você reveja a sua atuação na parte comercial pois as suas vendas precisam cobrir os seus custos e despesas e deixar um lucro no final de cada mês. É necessário aprender ou reaprender a vender e negociar para obter novos contratos e parcerias na cidade/região.

      Sucesso
      Beco com Saída
      Vivianne Vilela

  2. claudia disse:

    Gostaria de obter ajuda sobre ampliar e reestruturar meu negócio em Poços de Caldas. Me ajudem por favor

    • Beco com Saída disse:

      Prezada Claudia

      Para planejar a ampliação do seu negócio sugerimos que você utilize a estrutura do programa de orientação empresarial, on line, Negócio Certo (www.negociocerto.sebrae.com.br) pois você vai precisar planejar, pesquisar e estudar para encontrar a melhor forma de fazer esta ampliação sem colocar em risco a lucratividade da sua empresa.

      Quando já estiver com um rascunho desenhado: como quer e pode ampliar o seu negócio, quanto vai poder investir de capital próprio nesta ampliação, vai precisar de mais funcionários para dar suporte nesta ampliação? Quanto precisará investir na ampliação da equipe (salários, benefícios, impostos, treinamento,etc)? Ligue para 0800-570-0800 para agendar um atendimento presencial na unidade do Sebrae mais próxima de você para conversar com um dos nossos consultores.

      Sucesso
      Beco com Saída
      Vivianne Vilela

  3. Luciana Santana disse:

    Montei uma lanchonete numa pequena cidade de Goiás. O ponto é bom e tivemos boa aceitação no mercado. No entanto, convidei minha cunhada para ser minha sócia. Eu ficaria na produção e ela cuidaria do atendimento e administraria o caixa. Todo o investimento foi feito por mim, mas combinamos dividir o lucro. Mas ela não correspondeu as minhas expectativas. Eu acabei trabalhando por duas. Treinei duas funcionárias e tirei meu time de campo. Vendi a lanchonete para ela na condição do pagamento ser efetuado aos poucos, mensalmente. Já fazem seis meses e ainda não recebi nada. O movimento caiu muito e este mês ela precisou tomar um empréstimo para pagar as contas. Retomar o negócio mantendo a sociedade já sei que não dá certo. Tenho medo de que, deixa-la desistir por si mesma, acabe queimando o ponto e até mesmo meu nome, visto que o alvará e o CNPJ que ela usa são meus. Contratá-la como funcionária seria dispendioso. Ela tem dois filhos para criar e me sinto um pouco responsável. Não sei o que fazer…

    • Beco Com Saíd disse:

      Prezada Luciana Santana

      Realmente a sua situação não é nada fácil e vai te demandar uma tomada de decisão rápida e consciente. Um caminho para começar a escolher pode ser refletir sobre:
      - O que é que você não quer e não está disposta a abrir mão independente dos custos (financeiros, emocionais e familiares)?
      Negócio é negócio, família é outra coisa. A sobrevivência de qualquer negócio demanda do empreendedor a profissionalização na gestão caso a empresa seja familiar.
      Converse com o contador da empresa, "tome pé" do nível de dívidas (que porventura possa ter) junto aos órgãos federais, estaduais e municipais.
      Levante os débitos junto aos fornecedores (matéria prima, água, luz, aluguel, condomínio, iptu,etc).
      Veja qual é a sua real capacidade financeira, física e emocional para investir na reconstrução da lanchonete como negócio.
      Com isso em mãos, chame a sua cunhada para uma reunião, ouça as explicações dela de porque ela acha que a empresa está nesta situação difícil e como ela acha que pode sair. Com base no que você ouvir, reflita e tome a sua decisão sabendo que ela terá um custo, independente do tipo de escolha que você fizer.
      Se for o caso, converse com um advogado e faça as escolhas resguardada pela Lei.

      Sucesso
      Beco com Saída
      Vivianne Vilela

  4. samarabrandao disse:

    Realmente o lucro não vem por acaso, por isso é necessário que o empresário esteja atento não só a questão: de onde vai sair o investimento, mas a talvez a principal questão seja: como vou fazer para alavancar o caixa? Daí a importancia dos conhecimentos prévios da pesquisa de mercado, do ponto de venda, da segmentação …. mas se a roda já tá andando, se volte para o mercado e reveja a estratégia, depois veja o que dar para reestruturar internamente (vale rever processos, atendimento, formas de controle etc…) É a gestão, vindo cobrar conhecimento.

    Samara Brandão
    Analista da Orientação Empresarial
    SEBRAE/AC