Por Jorge Luíz da Rocha Pereira
O empresário após elaborar corretamente os custos, calcular adequadamente o índice de comercialização, formar o preço de venda, e ajustá-lo ao mercado, através dos recursos da precificação, ainda precisa escolher qual será o último algarismo colocado no valor, para a visualização dos consumidores.
Isto mesmo, a definição final do preço de venda de um produto ou serviço não depende do custo de compra, dos custos fixos, dos impostos, e nem da margem de lucro, mas sim da sensibilidade visual do valor impresso na etiqueta do produto ou na informação impressa do preço.
Isto pode acontecer, por exemplo, no preço de um computador da empresa Dell: R$ 1.499,00, e por que não R$ 1.500,00, ou R$ 1.490,00?
Também presente em um tênis da Nike R$ 449,90; em um livro de Pediatria R$ 133,90, e na Boneca de R$ 129,90.
É a regra do algarismo 9, neste caso, muito menor que o algarismo zero.
Existe o caso do algarismo 8, nos aparelhos de T¨V LCD da marca AOC, por R$ 1.558,00 ou R$ 1.248,00, conforme as dimensões do televisor.
Em uma breve análise dos preços informados em revistas e sites, em dezenas de empresas no Brasil e fora dele, foi verificado que quase 90% dos valores têm os algarismos 8 e 9 no final do número inteiro, ou nos centavos.
A explicação pode ser simples, o valor redondo, por exemplo, R$ 1.500,00 pode ser percebido pelo consumidor muito superior a R$ 1.499,oo, apesar da diferença de R$ 1,00 entre eles, ou 0,07%.
Mas a verdade é outra, a adoção dos algarismos 8 e 9 virou um padrão, um verdadeiro mito comercial e financeiro.
Algumas vezes sofrem a pressão dos clientes, em razão de uma suposta falta de troco, por parte dos caixas das empresas, mas o Banco Central para facilitar esta operação, disponibiliza atualmente (março de 2012), 19 bilhões de moedas em circulação no país, sendo que 3,19 bilhões são moedas de R$ 0,01.
São aproximadamente 98 moedas para cada um dos 194 milhões de brasileiros, não deveria, portanto, faltar troco para ninguém.
A evidência da sensação visual de estar abaixo de um valor alto, mesmo que, na maioria dos casos, a diferença pareça insignificante para o consumidor, prevalece sobre a razão matemática.
Existem algarismos que são banidos destas escolhas para o valor unitário ou nos centavos, como: 3, 4 e o 6. Já os algarismos 1, 2 e 5 conseguem aparecer por algumas vezes. Porém o 7 sofre de bipolaridade, pois, apesar de ter um certo mistério em sua volta, como por exemplo ser o número da sorte, raríssimas vezes é encontrado nos preços.
O zero é um caso à parte, pois ele é causa da adoração dos algarismos 8 e 9, afinal representa o número redondo, o valor alto, o preço nas alturas, mesmo que a diferença seja de R$ 0,10 ou R$ 0,05, entre eles.
Empresário, após formar o preço de venda de seu produto ou serviço, não se esqueça do algarismo certo no final do valor a ser ofertado aos consumidores, são dez opções, mas o seu cliente pode achar muito caro, ou ainda, o concorrente consiga oferecer um valor diferente e mais atraente do que o seu.
Jorge Luíz da Rocha Pereira
Consultor – Sebrae/SP