O segredo dos pequenos varejos

Sempre que viajo eu tento ‘experienciar’ o jeito de viver do local que visito, frequentando lugares fora do eixo turístico e com características únicas, cheia do life style daquela região e/ou cidade. E eu confesso, sou sempre atraída pelos pequenos negócios, sejam eles do varejo, da indústria ou do universo dos serviços.

Pequenos negócios têm alma. E a alma é feita de histórias, sabores, texturas, sons, cores e…gente!

Um dos textos que exemplifica isso é o post da Talita RibeiroPequenas coisas que dão ‘alma’ ao comércio, onde ela conta o que diferencia valor, de preço, olhando os pequenos varejos do Brooklin, bairro de Nova York.

Em janeiro participei da Missão Sebrae/SP-FACESP-Associação Comercial de São Paulo para a NRF Big Show em Nova York. No programa tivemos uma aula sobre merchandising, além de visitas técnicas, onde pudemos ver em prática as melhores técnicas. As anotações que fiz sobre estas lições compartilhei aqui:

Visual merchandising a arte de encantar o cliente

Visual merchandising: ao vivo e a cores

Relembrando o conceito, merchandising , trata-se do conjunto de técnicas que tem como objetivo principal auxiliar numa melhor exposição de produto mercadorias, tornado-as mais atrativas e interessantes ao consumidor.

Mas o que tem me chamado a atenção nos últimos tempos é algo que, na minha humilde visão (que será diferente da sua, não melhor), são os pequenos negócios que têm se diferenciado, com valor, tendo como estratégia uma curadoria excelente e agregadora.

As atividades de curadoria abrangem um campo muito extenso, tanto nos planos cultural e artístico quanto no comercial. “Curar”, nos ensina o dicionário, é cuidar, ter cuidado.

Em um mundo cheio de informações, cada vez mais ‘pasteurizado’, com réplicas, tréplicas, estilos e preços…como se diferenciar?

Curar envolve segmentação, filtragem do tipo e do formato de como o conteúdo (produto/serviço) será compartilhado para que haja compatibilidade entre o item a ser vendido, o perfil do público e as atividades e valores da sua empresa. Contextualização elevada ao nível máximo é o que eleva a experiência do cliente ao comprar na sua loja. Curadoria é algo feito para encantar o cliente usando cores, sabores, música, cheiros, contexto regional/local, personalização, comércio justo da fazenda até a prateleira e muita, muita sabedoria para misturar, da melhor forma tudo isso e apresentar, dentro do contexto do cliente, o que é que você vende, e só você vende.

Em abril, deste ano, dirigindo pela Freeway 99, que corta a região central da Califórnia, entre as cidades de Visália e Delano, eu e a Talita nos deparamos com esta maravilha: Sequoia Flowers Produce & More. Amor a primeira vista! Esta loja tem como pano de fundo um laranjal maravilhoso. Como fazer uma curadoria, com produtos locais, com práticas de comércio justo, sabor, cheiro para ‘até vender morangos’? Dá uma olhada nestas imagens para visualizar o que é uma curadoria…Ah, e ela tem um e-commerce.

 

Freeway 99 entre as cidades de Visália e Delano

Freeway 99 entre as cidades de Visália e Delano

Freeway 99 entre as cidades de Visália e Delano

Nem preciso dizer que saimos de lá carregadas de frutas, como morangos, mirtilos e amoras, além de sabonetes (feito com as frutas das fazendas da região), e também uma versão local do nosso pé-de-moleque, com amêndoas. Só não levamos mais, porque não tínhamos como preservar ou carregar tudo que estava a venda no local. O atendimento foi o mais simpático e empático possível, feito pela dona da loja, que nos ofereceu, de forma generosa, vários produtos para experimentarmos. Gostamos tanto do espaço que ficamos andando por todos os cômodos e cada um gerava mais encanto do que o outro. Tudo tinha alma. Preço? Que preço. Em momento algum, nem eu ou a Talita questionamos o valor apresentado nos produtos. Foi o melhor lanche de estrada que comemos a viagem inteira.

E a sua empresa ou produto tem uma história para contar?

É cada vez mais clara a percepção que os produtos e varejos com mais sucesso são aqueles que prendem a atenção do consumidor num roteiro, igual a um livro ou a um filme, onde ele, o consumidor, quer ser o protagonista e não aceita papéis secudários e sem importância para ele ou para o mundo. É preciso envolver os sentidos, despertar a imaginação e inspirar o seu cliente a ir além – mesmo que signifique apenas visitar o próximo cômodo ou categoria da sua loja ou experimentar um novo produto.

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